sábado, 27 de agosto de 2011

Resignação

Era simples, apesar de ninguém entender: não acreditava que tivesse algo pra mostrar para os outros. Se alguém dissesse que queria conhecê-la, ela ia duvidar. Por quê? Meu humor é estranho, tenho preguiça de falar sobre mim, meu trabalho é chato e tenho poucos amigos. Por que mesmo vc quer me conhecer? Era isso. Não achava que isso era a tal baixa auto-estima, mas tinha consciência de que as pessoas mentem na noite e que não querem ser vistas à luz do dia. E o que não conseguiam entender é que, na maior parte das vezes, ela estava feliz como estava. Gostava dos que tinham ao redor e, não fosse por umas questões apenas hormonais, não precisava mudar nada. Viu num filme outro dia, um senhor velhinho que perdeu a esposa de anos e, enquanto o jovem lamentava a perda do outro, o velho, resignado, explica: “nós não gostávamos tanto assim um do outro, mas éramos íntimos”. Pra ela, isso resume um bom tanto de sentimentos. A resignação também.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tudo bem

Está em casa agora, senta no sofá e se esforça para não esperar por nada. Inventa uma desculpa para checar - novamente - os emails, para olhar, outra vez, o celular. Não, ela não está esperando por nada. E não está ansiosa. Não está esperando há dias. Afinal, ela não sente nada. Está bem, como sempre. Está sorrindo, veja lá. Ela está em casa, e tudo está bem em sua não espera.

sábado, 18 de junho de 2011

Feita pra acabar

"Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim"
- Marcelo Jeneci, "Feito pra Acabar"


Três da manhã e estou aqui de olhos arregalados pra vida. Simplesmente sem saber que isso ainda era possível, e, assim, tão rápido. Ao mesmo tempo, não me sai da cabeça a certeza de que tudo isso é feito pra acabar. Mas com uma intensidade é tão bela. É chocante o quanto é forte e faz com que as palavras sejam pouco importantes agora. Vontade de só dizer "aaaaaha! a gente é feito pra dizer que sim". Sim, sim, sim! E uma pausa pra respirar.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ando sem palavras

Do blog do Xico Sá, e que dá conta de dizer coisas que eu não consigo mais. Por hoje, o mundo está triste, sem forças para mudar.

"Pelo mínimo que conheço de moça, há ali uma lágrima, umazinha, represada de algum embate mal-resolvido no final de semana. Na segundona carregamos o peso não do churrasco ou da massa, nunca da comilança. Carregamos a vida por quilo da intensidade de termos vividos mais juntos. Pernoites mais colados na cidade-dormitório. Durante a semana não há tempo nem para perguntar como foi seu dia."
...
"O normal em SP é o amor começar no Paraíso e acabar na Consolação, com ou sem baldeações ao longo do percurso. Às vezes, porém, ele faz o caminho de volta, como se o coração não pudesse perder a validade do Bilhete Único que logo logo expira e não dá tempo nem voltar para casa."

domingo, 10 de abril de 2011

Ausente




Estou longe e a culpa é do Facebook. Estou longe e a culpa é do trabalho. Estou longe e a culpa é da pressa. Da fome, da ânsia, do sono, do medo, da fuga, do engano. Estou longe e a culpa é minha.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Das poucas, as válidas

A única certeza: eu vou esquecer você. Vou colocar seu nome na boca do sapo, na barra da saia, na areia molhada, na garrafa de vidro, mas eu vou deixar você. Não vai deixar de ser mais do que uma imagem do passado, uma lembrança sem sentimento, um penteado desfeito. A minha única certeza no meio de todas as minha necessidades mais básicas é que você vai sumir. E vai ser de corretivo, vai ser de colagem, de retalho, de borracha misturada com cuspe, seja o que for preciso, você vai desaparecer. Nem que todos os dias eu precise passar por cima de você e jogar uma pá de terra fresca para me lembrar de te deixar morto, você vai sumir. Nem que eu tenha que nascer de novo. E eu posso fazer isso.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Por uma vida menos ordinária

Nos últimos dias o que faltam são os sentimentos. Como se o mundo fosse habitado por zumbis, não é possível identificar a alegria ou a dor, as saudades ou a satisfação. O único sentimento é a ansiedade, se é que isso não é apenas uma sensação. Completa incapacidade de se relacionar, de dizer o que quer. De saber o que se quer. Nunca houve a vontade de haver drama, mas, na ausência de vida, melhor o caos à pasmaceira.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Verdades sobre o amor

Uma verdade: love's sucks. Não há beleza no amor ou no amar. Não há felicidade em desejar compartilhar sua alegria e o melhor de vc com nenhum outro ser. Não existe prazer em descobrir quem te faz inteiro. Nunca mais haverá liberdade. Não há felicidade no amor. Não há paz. Não há beleza nos textos e nem rima nas frases. Não há verdade nas canções romãnticas, nas histórias romãnticas, nos romances românticos. Amor é uma droga. Um vício para perdedores, um azar na sexta-feira treze. Amar é nunca mais crescer, é nunca mais viver, é perder-se por completo, é cair num buraco sem fundo, é desejar a morte. O amor é um saco.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tão 2008

Eu esqueço da dor passada, dos dias insones, da falta de você. Faço tudo para convencer todas as partes do meu corpo de que você já foi. Não falo mais sobre você. Não ouço mais as mesmas músicas, fujo. Me convenço de que aquilo tudo não era nada e que você não foi o culpado por meus dias sem esperança. Fujo. Aprendi bem a fazer isso. E sem querer, revivo uma seleção 2008 no ipod e dois acordes são o bastante pra me colocar no mesmo ponto em que eu fingi que tinha abandonado: a vulnerabilidade completa. Não sei mais como fugir. O choro no meio do trabalho, a vontade de que você sofra também, a raiva, dor, dor. Tudo em mim parece sentir você de volta. Dias insones. And so on, so on.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diálogos Surreais

S: comprei um apontador fiquei contente
eu: apontador?
S: sim
eu: eu queria ter o sorriso dessa menina
S: tenho uns 4 lápis aqui que nao dá pra usar pq nao tenho apontador
eu: ah
e sua felicidade custou tipo, 1,50
S: 2,50
caro, né?
nao achei nada demais no sorriso dela
eu: ah
ela parece feliz
S: ela só é magrela e tem cabelo curto
S: essa mina tem cara de ser feliz pq é meio burra, sabe?
haha
eu: tudo bem
queria ser meio burra
ser feliz
e cantar numa banda massa
com MIL pessoas
S: vc tem um sorriso feliz e é inteligente
vale mais
eu: mas, EU SOU FELIZ?
S: haha
ninguem precisa ficar sabendo