sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

2005

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005


Ao Deus Google: 
* Big Brother Brasil 
* Verão, Brasil, praia 
* Tutorial Adobe 
* Receitas 
* Venda de cds e dvds 
* Estude no EUA 
* Cassino virtual 
* Faça você mesmo 
* Últimos capítulos de Senhora do Destino 
* Letras de músicas 
* Download 
* Regimes rápidos 
* Campeonato Brasileiro 
* Juliana Paes pelada 

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número de visitas até a pubicação desse post: 10617 - vamos ver se isso muda agora! 
(risada maléfica!!) 

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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005


O que será que me dá? 
Ou, que me deu? 
Quando ele me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem. 
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci. 
Esse post será cheio de parágrafos, à pedidos do acadêmico Zeni e em obediência ao monge Baggio. 
Como todo dia, eu fiz tudo sempre igual. Sacudi-me às 10 horas da manhã e não te beijei com minha boca de café, porque você não estava aqui. Só por isso. 
"Acorda, acorda, acorda, acorda." 
Ontem eu dormi com uma sensação de nada. Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. 
Pensava: "Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais, quero ver como suporta me ver tão feliz." 
Eu que tinha desejado ser como uma tatuagem, que achava que não teria coragem de prosseguir só, não quero mais. 
Não me deu nada. Era isso. Eu não fui afetada, saí ilesa. 
Então, a moça triste que vivia calada sorriu, depois que a banda passou, sem precisar cantar cantigas tristes de amor. 
"Acorda, acorda, acorda, acorda." 
-Meu caro amigo, do que você está falando? 
Tantas águas rolaram. 
-Melena Dos Olhos Dágua, vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho pra te dar. 
Vale. 
Cada sorriso que eu tenho ganhado vale. As dúvidas,diferenças, valem. 
Tinha cá pra mim, que agora enfim eu vivia, enfim, um grande amor. 
Que bom. 
Ai, que vida boa, olare! Ai que vida boa, olará! 
Quem te viu, quem te vê! 

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005


É um padrão? O que é? Por que vocês não deixam que fiquemos mais de uma semana com um sorriso no rosto? É algum pacto inato entre vocês? Algo pra que são convidados a participar e que nós ficamos de fora? Vocês assinam algum papel no dia em que fazem 17 anos e isso os obriga a não nos deixar felizes por muito tempo? Por que ficam quietos quando tudo o que precisamos é ouvir uma história trivial das suas vidas? Por que falam tanto quando tudo o que queremos é um abraço apertado e um momento de certeza da eternidade? Por que vocês juram amor com um beijo no rosto? Por que não são capazes de entender o peso que é ser? É um padrão? Ou não sabem que não têm obrigação nenhuma de nos encontrar? Ou não sabem que preferimos ficar sós a ter que ficar revirando todas as últimas conversas, os últimos passos, os últimos contos pra descobrir onde foi que os magoamos? Ou não sabem que essas caras de "não quero estar com você hoje" é mais ofensiva que uma ausência declarada? E, se não há nada, por que vocês não dizem? Por que apenas abanam a cabeça e nos olham de canto de olho? Por que não podem avisar na chegada que o dia não está bom e que vocês preferem não falar hoje, mas que, ainda assim gostariam muito da nossa muda presença? Se for um padrão, eu sou uma eremita. Se for um pacto, eu não quero mais brincar. Se vocês não sabem do que estou falando, isso só prova o quão cegos e egoístas todos vocês são o tempo todo. Eu não gosto de me sentir assim. Não gosto mesmo. Não gosto de achar que eu fiz algo errado, que falei o que não devia ou que deixei de ser especial de um dia para o outro. É o tipo de coisa que eu não suporto e que eu não sentia nem um pouco de falta antes de você. Eu não quero isso. Não suportaria isso de novo. Eu não quero chorar por achar que aquele é o último olhar que recebo teu. Eu não sei gostar disso, não sei ficar insegura. E, por que, depois de tudo, eu ainda vou verificar se o telefone está no gancho, se o celular está ligado, se não tem nenhum email novo? Sinal de que quem criou e ensinou esse ritual pra vocês estava com toda razão. E que se dane o que estou escrevendo aqui. Eu estou puta e amanhã passa. 

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Sábado, Fevereiro 19, 2005


Onde você vai ficar você não sabe. Porque gosta de tudo nesse mundo, gosta de gostar e gosta de não gostar também. Gosta de atuar, mas acha tudo muito clichê. Gosta de poder mudar, mas se cansa de crescer sua voz entre tantas, de ficar rouca e morrer com os surdos. Gosta de estar externa, de só olhar, de mostrar como é que você enxerga tudo, mas se remói por com o não poder estar agindo. Você é opinativa, é agente e se esconde atrás de uma mão cheia de dedos que não tapam suas posições, não tapam suas piscadelas, seus bicos e sorrisos. Você queria usar o telefone todas as vezes que tem vontade. Queria dizer tudo de uma vez. Você queria saber muito mais do que é sabido e por isso não fica em lugar nenhum. 
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E ela que sempre disse que gostava de ficar só, confessa: quando não está com ele, deseja freqüentemente que ele apareça de repente. Ela está feliz, grudenta e pedante. Ah! Uma amiga com nome parecido acrescentou: você está insuportável. 
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Coloquei um link pro II PUTZ (festival de cinema e vídeo universitário de curitiba) ali do lado. Acessem, leiam o regulamento, enviem vídeos e, principalmente, ajudem a divulgar! 
Incrições até 18 de março. O festival é entre os dias 05 e 08 de abril. 
(no site: www.putz.ufpr.br entrem em "putz 2004" e no final da página tem o vídeo que eu e a Mila fizemos "fama, glória e dinheiro"!) 

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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005


A pegunta é: COMO ALGUMAS COISAS PODEM SER TÃO IRRITANTES SENDO TÃO PEQUENAS? 
Eu? Não, apesar dos comentarios sobre a supervalorização dos meus 1m62, não estou me referindo a mim. Nem à minha mãe que conseguiu não chegar a 1m50! 
Mas, por que tem vezes que se chega em casa com tudo bem tranquilo e sorridente e num minuto parece que todas as pessoas a sua volta são infinitamente irritantes? Parece que o boa noite é uma ironia e uma pergunta sobre como foi seu dia é uma tentativa deliberada de infiltração na sua vida particular? As vezes algumas coisas irritam tanto que você não entende como consegue escrever ainda.
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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005


Ela chegou em casa com o corpo pedindo cama. Deitou no sofá e ligou a televisão. Porque o nariz coçava, e provavelmente só por isso, levou a mão recém-chegada da rua ao rosto, e lá descobriu o oposto da solidão. Sabia que o cansaço no seu corpo, a mente vazia, os lábios inchados, e essas sensações raras eram por culpa disso. Sabia que não estar mais só ia trazer muitos acompanhantes, mas não estava preparada pro cheiro dele. Tinha outro cheiro que não o dela em sua mão. Não estava nos ombros, no peito, nos braços ou pernas, não nela. Estava na mão, em apenas uma delas. O mesmo cheiro que sentiu quando o abraçou, o mesmo que sentiu no pescoço, na nuca, na orelha, o mesmo cheiro. Foi fatalista e acreditou que era um pouco dele pra ela levar pra casa, pra fazê-la dormir. Não dormiu. Ficou na sala, pensando na dor no seu corpo, na ausência bem quista, na alegria que rodeava a casa, que passava pelos fios de luz e inundava a tela da televisão como em uma festa de carnaval. Quando ela acordou no outro dia, sem lembrar que tinha dormido, cheirou os dedos limpos com sabão neutro. Virou para o lado, com um princípio de incerteza. Queria lamentar, queria dormir, queria voltar. O telefone tocou. Não fez nada que queria até atendê-lo. Sorriu, de novo.
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Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005


A saudade é um ser estranho, é uma estrada longa, é um bicho bobo. Ela envelhece como os homens, fica fraca com o tempo, perde o equilíbrio nas pernas e cai. Não existe saudade eterna. Existe saudade um minuto depois de desligar o telefone, da despedida no portão, do tchauzinho com a mão quando já se está longe. Essa é a maior. É quando se entende que a presença que enchia o ambiente desapareceu e tudo esvaziou-se. Então, começa a deseja com toda intensidade que o tempo volte e que possa aproveitar um pouco mais a inspiração do seu samba triste, da sua canção de amor, do sorriso do seu rosto, do brilho nos dentes. Passam-se dias e o que sobra é uma lembrança da saudade do minuto seguinte, lembrança do minuto anterior, de quando havia e de quando passou a não existir. A saudade é como a Suzana Vieira que aos 62 anos desfila no carnaval como rainha da bateria. Ela faz operações plásticas e toma viagra pra poder agir naqueles que já haviam passado por sua vida. Ela reaparece depois de muito tempo, invade os sonhos e faz que aquele minuto M renasça perfeito, como um bebê chorão que ainda não perdeu o cordão umbilical. A saudade não é eterna, mas demora pra dar o último suspiro. Ela não se deixa fotografar, não dá entrevista pra Caras e não assume seu amor pelo pai ausente. A saudade é um código, um dialeto perdido, uma marca de nascença, uma unha encravada. 
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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005


Então é isto: não volto pra Curitiba. Nunca mais. Há! Ou, pelo menos até sexta, que é mais que o prazo máximo. Praia tem seus limites... sol, mar, sol, chuva, sol, milena-rosa, sol, areia, sol... tá, entenderam... e, como tenho tempo demais pra pensar na vida mas nunca tem um papel e uma caneta por perto, esse ainda não é um post descente. Huummm... tempo demais pra pensar na vida... ou, que mais as pessoas fazem na praia, com os pais muito perto e mais uma penca de crianças? Eu penso na vida! 
Bem, bem, pagando pra usar internet... isso me deixa meio nervosa olhando o cronometro correr aqui em cima... Bem, um dia eu volto... uma bandinha aí disse que "todo carnaval tem seu fim"... vamos ver se o meu acaba logo... (como é mesmo o nome desses carinhas, hein?:]) Hasta luego! (porque em Porto Belo tem muito argentino!)
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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005


Eu estava sentada querendo escrever. Amanhã eu viajo e queria deixar algo pros que, como eu, nunca - quase nunca - saem de Curitiba e sempre procuram algo novo na net. Queria. Mas minha casa está cheia de amigos do meu irmão, tá passando seriado que eu gosto na tv, eu estou agitada e procurando algo pra escrever. Isso nunca funciona. Preciso desenvolver um método, uma disciplina, algo que me faça capaz de escrever boas coisas sem depender de um espírito inspirador. Talvez eu tenha que ler mais. Eu tenho. Eu tenho que aprender a ser mais direta e mais sincera. Eu quero deixar escrito aqui - em todos esses dias do carnaval, em que provavelmente não haverá atualização - que hoje eu vou dormir muito feliz. Ontem eu escrevi um texto e guardei pra publicar hoje. Tava triste e reclamando porque não estava conseguindo chorar. Eu não queria, mas sentia que precisava, que ia me aliviar. Passei dois ou três dias cuspindo fogo com todo mundo, me sensibilizando por nada, igualzinho a uma mulher grávida. Escrevi, gritei com o mund lá, guardei e não precisei publicar. Maravilha! Eu hoje não tenho nada bonito pra escrever, mas estou felizona. Felizona e ainda vou pra praia! Maravilha2! Estou me enrolando pra dormir e descobri um cheiro na minha pele. Que coisa! Sem detalhes adicionais, apenas: maravilha3! Com muita sorte, antes de eu pegar o ônibus, sai alguma coisa boa de ler além da parte "meu querido diário, hoje o dia foi ótimo blablabla..." Sem promessas, mas cheio de boas intenções!
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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005


Eu não sei escrever sobre outras pessoas. Não sei criar vidas, nomes, histórias, vontades. Não sei o que é ser outra pessoa que não seja eu. Tudo no mundo passa por um filtro. Eu não sei não ser egoísta, não sei ser criativa, não sei ter boa vontade, não sei inovar. Eu escrevo sempre sobre mim ou sobre o que eu deveria, gostaria ou poderia ser. É sempre uma faceta do meu caráter, conhecida ou não. Sempre vai existir um EU. Sempre vou estar dentro. Não posso parar de pensar como eu. É como se só fosse eu no mundo, o personagem principal, e todo o resto fosse criado pra viver a minha vida. Composições paralelas pra me ajudar a ser eu. Eu não tenho outra lógica além da minha ou outra maneira de sentir além da minha. Eu queria poder falar dos outros. Queria descrever sensações que não vivi, entender pensamentos que não foram meus, dizer frases que nunca falaria. Eu queria poder entender outras vias, contar outras histórias, ser, por um momento, um ímã. Queria ser sensível, inteiramente capaz de sentir o mundo. 

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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005


Você sorri e me beija, depois me abraça por inteiro e faz com que eu sinta que estar com você é o momento mais precioso do meu dia. Então, respira fundo. Se eu fosse forte e grande e ágil, segurava você naquele momento e impedia que aquelas palavras viessem ao mundo. Tomava fôlego com você e te beijava. Fazia você entender o que estava sentindo ali. Mas não sou grande nem forte nem ágil e as palavras vêm. "Você sabe que isso...". Eu sei. Eu vejo você me afastando com suas palavras e me prendendo com seus afagos. Eu sei que há muitas chances de toda essa combinação não funcionar mas eu não sei se é isso que você quer. Eu não sei o que você quer. Quer que eu me vá junto com as horas? Quer que eu me vá da sua boca e termine no mundoamaldiçoadodascoisaspronunciadas? Eu não quero. Eu... você sabe que apesar do histórico, do lógico, do visível, eu quero poder tirar um cochilo no fim da tarde e acordar com você ao meu lado, quieto e sorridente? Eu quero te assustar ao publicar nossos atos e receber cada telefonema pedindo explicações. Quero saber o que você quer, mesmo sem saber. Eu quero exagerar nos sentimentos e perder meu medo de você. Só isso. 

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

2005

Segunda-feira, Janeiro 31, 2005


Tenho a sensação de ter perdido algo no meio da conversa. De ter ouvido algo e só ter entendido 10 minutos depois. A sensação de nó voltou. O Senhor Nó está presente novamente e eu não o cumprimentei na entrada. Eu andei dando uns pulos de alegria e o Senhor Nó segurou no meu pé para trazer-me ao chão. Eu que tinha asfixiado uma nova história antes do final feliz agora desejava que ela tivesse vivido um pouco mais que nada. Tem certas coisas que são difíceis de ouvir. Que a gente faz cara de que está tudo bem mesmo quando parece que o teto se abriu e começou a cair raios diretamente na sua testa. Eu não lido muito bem com a incerteza do mundo, mesmo sabendo que há poucas certezas (considerando aqui o ciclo da água, o crescimento dos pêlos e o anoitecer do dia). Eu tenho uma mania, ou uma necessidade, de saber pra onde estou indo, de controlar o timão. Engraçado isso, eu tenho sonhos repetidos, há muito tempo e com frequência. Quando era pequena sonhava que colocavam (ou, sem motivo, nos deixavam lá) eu e meu irmão dentro de um carro no topo de um morro. O carro começava a descer e eu tinha que conseguir controlar o carro, sem matar as pessoas de rua ou nós dois. Era engraçado (engraçado o escambau....), sempre meu irmão e eu. Hoje, o carro continua, mas meu irmão se livrou dele. Com algumas variações, eu estou sempre num carro de desenho animado (volante frouxo, freios gastos, marchas trocadas) e preciso (ou pra fugir de alguém ou pra chegar rapidamente em algum lugar) dirigir. Há umas duas ou três noites, pela primeira vez em muitos anos, eu sonhei que dirigia um carro e não existia nenhum problema. Eu conseguia fazer isto: eu dirigia normal, não atropelava ninguém e nem passava perto disso. Tá certo, antes que apareçam as interpretações banais: sim, eu tenho mania de tomar as rédeas de tudo e sim, eu reprovei no teste do Detran e não fui fazer outro. Mas, e por isso que contei toda a história, estou num momento em que o que eu menos tenho é certeza ou controle do que está acontecendo comigo. Se alguém me perguntar "e aí, milena, tudo bem?" eu posso dizer num minuto que está tudo lindo, com um sorriso que comprove isso, e no outro dizer que está tudo bem, e duas ruguinhas aparecerem no meu rosto. As duas da tarde de hoje eu estava feliz, esperançosa, aceitando o imprevisto. Doze horas depois, estou roendo as unhas, prevendo pesadelos, ouvindo o Senhor Nó e torcendo pra que tudo passe logo. Acho que de certo, apenas, pode-se dizer que eu sou uma garotinha pretensiosa, ansiosa além dos limites e de uma criatividade sem tamanho. De certo, também, eu tomei remédios demais, não vou conseguir dormir tão cedo e ainda me restam 4 semanas de férias... Já dizia meu professor Orlando, na sexta série (graças a ele eu guardei quem era o gerúndio), com uma voz grave, os cabelos muito brancos e dois grandes olhos azuis: "mente parada é oficina de satanás". Eu tinha três aulas seguidas com ele na sexta-feira e precisava inventar que o elástico do meu aparelho tinha arrebentado pra ele me deixar ir ao banheiro. Velho filho da mãe!
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Domingo, Janeiro 30, 2005


Banho de chuva 
Estava começando a chover perto de mim. Eu sentia calor há algum tempo, via algumas nuvens carregadas se aproximando, pingos chegaram a cair, mas nada que me fizesse acreditar que aquilo era chuva. Chuva de regar o chão, de encher as ruas, de encharcar os cabelos, lavar a roupa, fazer crescer a grama mesmo só hoje. Hoje, as nuvens correram, pediram um beijo de boa noite e desaguaram. Protegi a minha cabeça com uma folha de bananeira tão inútil que me fez pender os braços e aceitar a chuva. Não sei quanto tempo ela vai durar, se vai trazer um resfriado quando se for ou é apenas a permissão para que novas flores consigam brotar. Não sei e não me precupo. Estou como uma criança que começou a jogar bola quando chegou a tempestade e se recusou a correr pra dentro de casa pra continuar jogando bola. Estou feliz com cada pingo, com a temperatura agradável do ar, com a imprecisão da previsão do tempo. Estou na chuva. 

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Sábado, Janeiro 29, 2005


Eu, bem, eu... 
Eu tenho tido dificuldades pra escrever (como já notaram, isso ocorre periodicamente comigo...). 
Sabe, filha, as coisas saem do controle, as vezes. As vezes você não espera e o ônibus chega, você nem cochila, e já tá lá. 
Eu acho que ainda sou incapaz de escrever. (droga! mas eu queria...) 

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Vamos às fotos, então. 
(explicação: fotos das gravações de um vídeo "bem bacana" - em breve mais informações - que eu participei. 
elas fogem muito do que é esse blog, mas como estou empolgadona com tudo, antes, durante e o depois - e olha que tô pintando paredes há tres dias e ainda não enjoei - as fotos vão aparecer por aqui!) 


(ótimo, esse BLOGGER tá com problemas.... não consigo escrever, não consigo colocar fotos, é o fim do Felizes...) 

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Quinta-feira, Janeiro 27, 2005


Depois de dias sem atualizar, volto! 
Volto mas não escrevo... 
Tem muitas coisas acontecendo, minha garganta dói, minhas unhas estão sujas de tintas e ainda não coloquei o sono em dia. 
Tenho a dizer: eu agi imprudentemente ao aceitar fazer continuidade em um filme. Eu, que sou péssima em jogo de sete erros, que perco atenção quando tem mais de três pessoas conversando ao mesmo tempo, eu que não amo você (dududu-dush!)... 
Ok, falei que não ia escrever... 
Vou colocar as minhas rugas de preocupação aqui, num momento fotolog do Felizes... 


A Milena pedindo ajuda dos céus pra que a cena dê certo! 

 

Uma bagunça na esquina do São Francisco... 

 

Milena tensa de novo, olha pro monitor e escuta os profissionais... metida, logo logo ela palpitará! 

 

(aguardem, mais fotos nas próximas edições!!) 

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Sexta-feira, Janeiro 21, 2005


Carnaval 
Muitas, muitas coisas boas acontecendo e uma não. No que você pensa? Na não, lógico. Tem um cartaz gigante branco e um pinta preta num canto, do que você vai reclamar? Tem 19 unhas crescendo lindas e fortes e uma encrava, 3 irmãos com quem você se dá bem e um que não deu bom dia... Cinco dias de folia e um de cinzas.. Hu! Já entenderam! Por isso hoje vou dormir reclamando duma pinta preta que apareceu na minha vida. Todo esse prefácio (que talvez seja todo o texto) é pra ninguém ficar pensando que a garotinha aqui vai se jogar na frente do trio elétrico, vai esganar uma criancinha fantasiada de bruxa ou gritar com uma senhora que saiu pra comprar pão. Não, TUDO sob controle (até o que não deveria, mas já falamos sobre isso...). Eu só estou respirando mais fundo, umas contrações na boca, uma dificuldade de entender piadas. Eu tô chateada pelo silêncio, pela incerteza, pela confusão. Tava esperando a banda passar, ela passou, parou, tocou e não me emocionei. Vou dormir com cheiro de cigarro, acordar cedo debaixo da chuva, sorrir pra 30 pessoas, descarcar o esmalte velho. Vou me vestir de arlequim, ficar ocupada o dia inteiro, preocupada com os dias seguintes, esquecendo, anotando e lembrando de coisas. Vou reclamar da vida da maneira mais feliz que alguém pode fazer. Vou ansiar pela quarta-feira e me deprimir porque acabou. 

ouvindo: Felicidade - Tom Jobim 

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Quarta-feira, Janeiro 19, 2005


CONVERSÃO PERIGOSA 
Hoje, dando uma voltas de carro pra adiar a despedida, já de noite, muito noite, a placa avisa: CONVERSãO PERIGOSA. 
- Cuidado, acho que vai ter que fazer um xunxu ali... 
- Conversão perigosa... 
- Ixi! 
Espera. Preocupação, apesar do vazio do asfalto. 
... 
Tudo certo, curva feita. 
- Ê! Tranquilo... 
- Tava escrito "conversão perigosa", quer dizer que é permitido, mas é preciso um pouco mais de cuidado. 
Silêncio. 
... 
Eu ri, por dentro. Tem certas coisas que só o trânsito explica por você! 
...
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Segunda-feira, Janeiro 17, 2005


Egoísta em definitivo, ansiosa por experiência, insegura em hipótese. Ver o cachorro pulando na minha perna quando cheguei em casa foi irritante hoje. Foi irritante a chuva que caía insistente e imprevista. Foi ruim sorrir, falar, pegar o ônibus. Eu ansiei por aquela tarde de sol, o silêncio, o suor. Eu quero uma noite de sono inteira. Quero não pensar. Era um bom dia pra chorar, mas a casa tava cheia, o filme era de aventura, a barriga tava estufada. Me odiei por mudar de padrões, desejar o feio, sentir-me sozinha. Olhei pra mim e quase não me reconheci - ainda bem que aqueles dois riscos na testa continuavam lá. Tudo continuava, de verdade. Tudo era igual, tudo estava como sempre. Todos continuavam lá, longe, responsáveis, frios. Eu, quieta, ameaçando um bico, não consegui dar um passo a mais. "Está tudo sob controle", como sempre, acrescentei depois. Controle é algo que eu preciso perder de vez em quando. 

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Domingo, Janeiro 16, 2005


Eu sou o tipo de pessoa classificada como atrapalhada. Eu não sei onde pôr minhas mãos, não tenho controle sobre meu tornozelo, não dobro a lingua em duas e não resisto a uma espinha na testa. No verão, eu evito usar saias por causa das manchas roxas na minha perna e minha dificuldade de sentar que nem meninas. Eu não consigo ficar paquerando uma pessoa sem cair na risada, prepare-se: "olhos nos olhos" sempre vai vir ou com uma gargalhada tímida ou com uma desviada de olhos por total incapacidade de ser séria. E eu tenho um instinto natural de auto-defesa, o que acentua as trapalhadas minhas e do meu corpo. Eu derrubo garfos, comida no colo, refrigerante na mesa. Praticamente, um desastre disfarçado num corpinho - cheio de machucados, mordidas de pernilongo, hematomas de trambadas - de vinte e poucos anos! 
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Sexta-feira, Janeiro 14, 2005


Estou com um frio na barriga estranhissimo. To triste, eu acho. Só isso, uma tristeza qualquer que não tem pra onde ir, passou na frente da minha casa e entrou. Agora fico aqui engolindo saliva, colocando força na ponta dos dedos, esfregando os olhos. Eu tenho tudo pra estar cemporcento, mas "tão perto tão longe" é mais que cinematográfico pra mim. São duas da manhã e eu não sinto sono. Fico perambulando pela casa e encontro uma maternal cara feia, reclamando da hora. Certas coisas são insuportáveis depois de um tempo. Eu desejo (na categoria dos desejos impossiveis) ter controle sobre o meu passado. Não apagaria as situações, mas as educações, as influências, as faltas de escolhas. Eu escolhi algo, mas não fui escolhida por ele. Hoje, não to falando do meu passado. To dizendo de algo recente, de todo dia, algo que me alegra e que me deixa sem forças. Vontade de ficar muito mais perto, mais junto, mais encostado. De sentir um frio esperado na barriga, de trocar sorrisos e morder o ombro. Eu não sei dizer o que sinto, eu nem sei expressar tudo direito. Eu acho que confundo as pessoas, talvez porque eu sou uma pessoa confusa... Eu desvendo senhas onde não há, as vezes, um cachimbo é só um cachimbo, já dizia meu psiquiatra. Eu to triste por não conseguir dizer tudo, por não conseguir sentir tudo, por nunca estar completa. Eu não queria dormir (sozinha) hoje.
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Quarta-feira, Janeiro 12, 2005


Imagine que sua bunda é uma bola de futebol. 
Imagine que você goste de assistir futebol, em casa, sentado num sofá confortável, tomando cerveja, com o controle remoto na mão. 
Agora, vamos lá. 
Sua bunda virou uma bola, e todo você está dentro do jogo, numa grama verde e gelada, que espeta, 15 milhoes de pessoas olhando pra você, no segundo tempo de um jogo importante do campeonato (não é final pra não ser clichê e pra não avacalhar demais com a minha bunda...). Vinte e dois neguinhos e um juiz te pisoteando (quer dizer, a bunda). E você é a bola (tá, sua bunda é a bola, mas se ela tá lá, né, você...). Nasceu pra isso. Sua função é ser chutada, durante 90 minutos você não vai poder reclamar, afinal você é bola e bolas não reclamam. Você é a peça principal nesse jogo. 
Aquilo que você era, adeus. Adeus. Adeus. Imagine. 
Imagine que não há mais conforto, não há mais água fresca ou bom assento. Há sangue, suor e lágrimas (não reclamem, esse é o meu momento novela mexicana do sbt!!), apenas. 
Agora você voltou a ser você mas a sua bunda ainda lembra de quem ela foi. 
Imagine que antes de dormir você ainda sente na bunda os chutes que levou. Pensa em contar pra alguém mas TODOS diriam que você está fazendo um drama. 
Daí você senta no computador e escreve uma historinha. Não, você não senta. Você não vai conseguir fazer isso por alguns dias. 
Agora pode parar... 

Sim, hoje eu fui chutada! 
(e não reagi bem.) 

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Domingo, Janeiro 09, 2005


Quando você chegou à festa... 

Todo dia de manhã ela acordava sem saber o próprio nome. Costumava ter sonhos ruins, sempre dormia menos que desejava e tinha dores no corpo todo. Pensava que ginástica poderia aliviar esses males, mas mudar seus hábitos nunca foi sua maior habilidade. Ao levantar, ela inaugurava o ser perigosa do seu dia. Mau humor explicava muito, mas seus cabelos em pé e o rosto inchado reforçavam aquela imagem que ela conseguia esconder tão bem durante o dia. 
Todo dia antes de dormir ela pensava muito sobre si mesma. Talvez fosse por isso que acabava tendo sonhos ruins. Se remexia bastante antes de encontrar a posição certa pra deitar, mesmo que dormisse na mesma cama há 15 anos. Sentia que sua vida era como a hora de dormir. Ficava muito tempo do seu dia desejando poder retornar à cama e quando deitava não encontrava a posição mais cômoda. Queria muito dormir e inventava mil atividades antes de se entregar a Morpheus. Achava a cama menos interessante que o planejado. Achava que estava perdendo tempo. Não gostava dos sonhos que tinha. Sempre elevadores, pulos, vôos, pessoas que retornam. Antes de dormir, desejava que seus amores fossem olhados. Pensava neles com rancor, mas pedia que todos ficassem bem. Dormia como uma menininha, encolhida de pernas e braços. 
Todo dia, durante o dia, ela fazia inúmeras coisas. Não conseguia ficar parada, e adorava a palavra coisa. Enquanto assistia a filmes, balançava as pernas, batia os dedos, enrolava os cabelos. Entrou na escola aos dois anos porque não tinha quem desse conta dela em casa. Derrubou uma televisão pequena na própria cabeça quando tinha o tamanho da tv. Em aulas, desejava que seu dia tivesse 36 horas pra poder fazer tudo que gostava e não tinha tempo pra fazer. Nas férias, dormia 12 horas e se entediava nas outras 12 que sobravam. Gostava de ler, mas sempre pegava no sono. Comia, muito e bem. 

As palavras ficaram soltas nas folhas, as linhas inclinavam-se na diagonal, pra escrever três parágrafos eu tinha usado quatro páginas. Eu nunca te mostrei o texto pronto. Fechei o caderno e os olhos. Era a primeira vez naquela noite que alguém entrava no meu quarto. Você parou em frente à porta fechada. Ficou ali esperando que eu me virasse. Eu ouvi sua respiração funda e sorri. Você pediu para abrir as cortinas, eu deixei que acendesse o abajur. Por minutos, eu dividi aquela solidão com você, ou você pegou um pouco dela de mim. Sentou no pé da cama e perguntou o que era a comemoração lá fora e por que eu não estava lá. Você não sabia por que nunca tinha vindo me visitar antes: a festa era constante. Ainda coberta e virada, você pegou no meu pé. Não falou mais nada, ficou sentado na minha cama, com uma mão quente no meu pé. Era raro seus momentos de silêncio, os meus também. Eu estava tão cansada que não te perguntei como estava, como tinha chegado ali, como tinha passado pelo corredor, achado a porta certa. E você, quieto e confuso, reparava que as paredes estavam tão pálidas e doentes como eu, que meus pés e orelhas tinham as manchas verdes das paredes. Eu achei que se não respondesse as suas perguntas você iria embora, achei que se nunca tivesse falado contigo nunca chegaria à minha casa. Não era uma festa em que você ficaria bem, e eu queria que ficasse bem. Eu mesma não me sentia confortável. 
Às vezes, quando deitava, conseguia um pouco de silêncio, mas sempre havia o problema com o travesseiro magnético e os pés gelados, pensamentos dispersos, pernilongos vindos da rua. Foi a sua mão no meu pé me fez acreditar em você. Não disse nada e dormi. Dormi com você ali, iluminado por 40W do abajur, sentado na beira de uma cama pequena, pensando se gostava ou não da nova marca da IG (na verdade, você não lembrava qual era a nova e qual era a velha, se alguém tivesse te dito que sempre fora a mesma, você acreditaria). Eu sonhei que a moça alta que cantava Bossa Nova pros convidados engordava, levantava do banquinho, colocava a mão na cintura e cantava Escravo da Alegria. Abri os olhos lentamente e por pouco tempo. Era você quem cantarolava, ainda sentado, ainda com a mão no meu pé. Disfarcei e dormi, calma e confortável, de novo. 

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Sexta-feira, Janeiro 07, 2005


Abre parentesis: 
o post publicado às duas horas dessa madrugada foi cruelmente apagado depois de uma noite quase em claro pensando sobre o que aqui estava. 
ainda bem que pra muita coisa existe volta nesse mundo. 
Pode fechar. 

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Terça-feira, Janeiro 04, 2005


Por favor, não se torne tão importante pra mim. Não esteja sempre do meu lado, não me conte suas histórias, não se importe comigo. Não, não deixe que eu espere por você, que eu comece a desejar tua presença. Não sorria pra mim, não me olhe sorrindo. Não encoste no meu braço, não faça com que eu goste da tua pele. Não me ligue todo dia, não prometa nada. Não me deixe fazer planos com você, não quero gostar do teu nome, nem te dar um apelido. Não me faça sentir especial, nem bonita, nem inteligente. Não vou acreditar nos seus elogios. Não fale mais comigo. Pode esquecer o endereço, o telefone, correio eletrônico... Eu não quero seus cuidados, seus carinhos, sua casa. Não vou te escrever uma canção, te contar um caso, revelar um segredo. Não quero ter que mentir mais. 

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Segunda-feira, Janeiro 03, 2005


Definitivamente, eu nunca vou me acostumar com mensagens sem exclamações, ois sem sorrisos, despedidas sem recomendações, beijos sem abraços. 
Sim, eu gosto do prolixo.
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Sábado, Janeiro 01, 2005


primeira constatação do ano: 
tenho a nítida impressão de que não estou vivendo. 
ou, a minha vida tem poucos momentos reais. 
parece que todo o resto (fora esses espasmos de vida) é simulação, modo de espera, versão teste, stand by, tela de descanso. 
o que há de errado comigo? 
(sim, pergunta "próbis" para um dia "próbis" ---- esperemos por melhoras nos próximos dias) 

constatação 2: 
devia ter comido uvas, cerejas, ervilhas e lentilhas. 
devia ter feito promessas ao invés de ter olhado pra trás. 
devia ter acreditado em algo. 

constatação final: 
é tarde pra recomeçar? 
quanto tempo tenho? 
(droga! isso não é - nem de longe - uma - afinal, são duas - constatação!) 

constatação p.s.: 
tem certas palavras no mundo que são muito legais de repetir: constatação, pantufa, hipodérmico, esdrúxulo, Ali Boulala são algumas... 

sábado, 25 de dezembro de 2004

2004

Sexta-feira, Dezembro 31, 2004


Mensagem de FIM DE ANO?? 
Ah... posso fazer uma mensagem de começo de ano amanhã? Eu realmente acredito em boas esperanças, desejos, fé que as coisas podem melhorar! Acredito que se não tivessemos essas pequenas esperanças a gente se matava mais cedo. 25 e todo mundo morto. Eu realmente acho é uma boa saída acreditar que tudo pode melhorar, que eu tenho uma nova chance pra fazer o que ainda não fiz, ou fazer algo totalmente novo apenas porque é ano novo. Ano Novo!!! Quais são as chances que temos de encontrar a cada 365 dias algo totalmente novo? Que venha um ano novo de vez em quando, uma roupa nova de vez em quando, familia reunida de vez em quando, comidas boas... afinal, o que não mata, engorda, de vez em quando! 
Ah! então tá bom: 
Queridos, que seja um ano, no minimo, de bons feitos. Não grandes, nem inesquecíveis, mas que se faça coisas que valham a pena! É o mínimo, né?! Divirtam-se também! 
UM 2005 PROVEITOSO!!!
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Terça-feira, Dezembro 28, 2004


Bala, gelatina, bombom, chiclete, pudim, pipoca, passeio no parque, filme no cinema, casa na árvore, passarinho, gato, cachorro. Importa? Blusa de seda, meia de lã, calça de moletom, cama de casal, tapete persa, assoalho de madeira, sofá de couro, estante marfim, tv 29 polegadas. O que? Banho de mar, mergulho na piscina, banho de chuveiro, de mangueira, banho de chuva. Importa... Sapato de salto alto, salto 15, salto agulha, anabela, plataforma, mule. O? Manicure, pedicure, cabelereiro, alongamento nos cabelos, cirurgia no nariz, silicone na boca, nos seios, lipoaspiração, redução de estômago, limpeza de pele. Quê? Refluxo, lombriga, bicho geografico, unha encravada, cefalite, bronquite, miopia, gagueira, dislexia, laringite, hepatite, bulemia. 

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Segunda-feira, Dezembro 27, 2004


Hoje eu fui contar sobre nós. E descobri que nós não temos história. 

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Domingo, Dezembro 26, 2004


Eu estava dentro de uma festa. Típica. Com banda feliz, pessoas felizes cantando, pessoas felizes dançando. Típica, já entenderam, né?! E eu, quieta... braba até, porque estava sozinha, e apesar de aquele ser um velho conhecido lugar, as pessoas tinham envelhecido, quando não sumiram, mudaram, ou eu é que não reconhecia mais tudo aquilo. Alguém pôs a mão no meu ombro, estava feliz por eu estar ali. Eu não. Eu sabia que eu não pertencia mais. Como conjunto matemático "milena não pertence ao conjunto B". A outra pessoa que eu fui se encaixava ali. Eu não sei quando foi que eu mudei. Logo, parecia que meu estômago, meu fígado e meu esôfago tinham se transformado numa coisa só que girava cinco vezes pra direita e vinte e cinco pra esquerda. Tonta! Eu gosto de parecer com os outros, de saber qual é o traje da noite e estar com a cara que esperam que eu tenha. E eu não conseguia sorrir, não estava feliz por estar ali, não acreditava em nenhuma palavra. Se eu tivesse levado meu livro, sentava num canto e esperava a noite acabar. Se eu fosse mais corajosa, saía de lá e não voltava mais. Será que os outros estavam felizes mesmo? Onde é que eles compraram aquelas fantasias? Meu pescoço dói. E começa a esfriar. Ainda falta uma hora pra eu voltar pra casa. Fui escrever pra ver se o tempo passava mais rápido. Perdemos uns seis minutos.
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Sexta-feira, Dezembro 24, 2004


Entrou no banheiro, antes de dormir. 

... 

(contraditoriamente ouvindo "Everythings not lost" - Coldplay)
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Quinta-feira, Dezembro 23, 2004


Por que todas as ultimas vezes que eu sentei pra escrever nos ultimos dias me deram muita vontade de dormir? Será que eu chegeui no estado em que eu mesma me causo sono? 
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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004


Po, cara! As vezes as coisa fica meio confuso, né?! As vezes a gente num intende nada e fica zanzando feito barata tonta por aí. Po! Nós qué melhorá, andá pra frente, com a cabeça erguida mas os cara aparece e encrenca com tudo! Cê tá ligado? Eu tava seguindo na minha, susse, e aparece neguinho pra desbirocá de vez. Assim num dá! Os cara num tem respeito não? Acha que é só chegá, bate um papo mole e já sai levando? Qualé? Po! Pió que, vo falá coisa de mano pra mano, coisa que num queru que ninguem mais saiba, falô? Pió qui esses papinho entra na caxola e fica lá martelando. Cê qué i dormi e aquela coisa tá lá. Vira prum lado, proutro, nada! Desce pra tomá um copodagua e a coisa ainda tá dentro da cabeça. Também, né, o cara fica alugando alugando alugando... dificil esquece as coisa que ele fala. Po! Num sô de ferro, né?! Quando eu tava a toa num apareceu ninguem, agora isso... As vezes dá vontade de explodir com tudo isso aqui. Jogá uma bomba, tá ligado, e acabá com o mundo! Po! Já tá tudo virado mesmo, né?! Tá, foi mal, eu disviei... É que num to acustumado a ficá falando di mim assim. Po! Dificil pácas! Acha não? Entáo vem aqui. Começa você a falá! Num rola, né?! Beleza, eu to ligadu nas paradinha. É complicado, maninho. Eu to numa sinucadibicu, acha não, num mato sem cachorro, to fudidu e mal pago! Agora eu vo te que chegar pro malandro e abri o jogo? Cláquinão! Num falo. Morro cego mas num abro essa boca! Ixi, ficá dando tiro nu iscuro? Nem a pau! Piá tem mó cara di qui faiz dessa o tempo todo! Eu to fora! Só num to conseguido dormi. Isso pq ele nem fez nada, só falô! Po, to fora! To muito fora! 
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Domingo, Dezembro 19, 2004


Senhor Nó. 
Eu tenho vontade de encostar em você. De te passar a mão no ombro, nas mãos, na cabeça. Eu quero te apertar forte e repetir várias vezes que gosto de você. Porque pra mim, antes, era impossivel. Hoje não. Hoje eu tive vontade de colocar meus dedos entre os seus, de poder pedir pra ficar em silêncio contigo e apagar as pessoas que sorriam ao nosso redor. Silêncio. Um minuto nosso. Eu quero muito poder dizer "nosso". Eu, muitas vezes, não quero. Eu não quero ficar feliz em falar você, em ver teu nome, ler sua voz. Eu não quero que meu pote de felicidade esteja cheio de moedinhas com a sua cara. Eu sinto ciúmes de você! Eu me fecho em ciúmes! 
Eu preferi te imaginar sempre como a pessoa que convive comigo. Eu anulei o mundo ao seu redor e o seu passado. Esqueci que longe de mim você tem seus próprios laços. Eu criei um você. Um você meu. Fui eu, eu, quem atou o nó. E quando eu vi você no seu mundo, me senti fora, solta. Eu me senti engasgada, com um sorriso amarelo, querendo perguntar pra onde você tinha ido, mas amarrada pela certeza que você nunca tinha estado só comigo. Eu queria não ter errado de novo. 
E eu sou cega, tenho ataduras nos olhos! Eu não vejo o mundo como ele é - se é que ele tem uma forma própria e única. Eu fantasio. Pinto tudo de cor-de-rosa-choque e acho que posso pisar em algodão. Eu engulo seco. Tenho os olhos baixos, os ombros caídos, os dedos lentos e uma saudade de você. Uma saudade do que se foi apesar de nunca ter sido. Um embrião de história que foi enforcado antes de iluminar o mundo. Eu sei que por enquanto, por enquanto enquanto eu escrevo, enquanto choro, e sinto, e morro, você fica sendo você, porque esse é você longe de mim. Porque você não sou eu e nem parte de mim. Porque por enquanto você é esse nó na garganta, esse chute no estômago, esse frio na pele, o salgado nos olhos. Pra mim. Em mim. Você foi a esperança e o fim. Por enquanto. 

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Quarta-feira, Dezembro 15, 2004


Em geral, as coisas estão sempre mudando e são sempre as mesmas. Esse ano, eu fiz grandes e velhos amigos. Outros, eu evitei. Eu deixei muita coisa guardada na gaveta. Eu criei outras. Eu ainda tenho a sensação de que vou ser sempre a mesma pessoa. Eu ainda quero esquecer muita coisa em mim. Tive vontade de dizer te amo, o que já é bom, mesmo que a vontade tenha passado mais rápido que o reconhecimento da não-veracidade do sentimento. Eu cortei meu cabelo. E pintei. Umas cinco vezes, pelo menos. Agora eu uso vermelho nas unhas e aprendi a ir ao cinema sozinha. Aprendi a gostar de mim sozinha. Eu passei no vestibular, ganhei uma bolsa de extensão, tranquei um curso. Eu realmente fiz vários amigos. Às vezes, eu me sinto capaz de amar. Eu tomei chá duas vezes num único dia. Eu escrevi mais e não fui sincera. Chorei. Chorei vendo filmes, lendo cartas, ouvindo músicas, dormindo. Esse ano vai acabar diferente do outro, e vai continuar tudo igual. Eu ainda tenho muito medo, ainda perco muito o sono, ainda durmo demais. Eu ainda gosto de falar de mim. Ainda não encontrei as respostas.
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Domingo, Dezembro 12, 2004


Sabe qual é o seu problema? 
SUPERVALORIZAÇÃO!!!! 
Eu não sou tão especial! 

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porque eu nunca fui desenhada antes... 
 
...fiquei toda cheia de mim quando vi esse rascunho...
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Terça-feira, Dezembro 07, 2004


Estava entrando na sala e não sabia o que estava fazendo ali. Notou que o teto estava muito mais baixo que o normal. Com certeza não era ela quem havia crescido. Olhou no fundo da sala, que, aliás, diminuía de altura à proporção que entrava naquele ambiente. Por detrás de uma coluna, que fazia a sala ser ainda menor, de tantos em tantos, viu um formato de corpo conhecido. Roupas conhecidas. Pensou em como aquela memória teria sido evocada depois de tanto tempo. Continuou andando, sem entender. Racionalmente, teria fugido daquele encontro como já tinha feito tantas e tantas vezes naqueles dois anos. Ele se abaixou, sua grande cabeça contornava a coluna e olhava em sua direção. Não tinha como ele te-la visto, pensava, mas lá estava ele, sorrindo. Foi a primeira vez que ele parou para falar com ela. Todos os outros encontros tinham sido rápidos, pela necessidade real ou pela pressa criada. Sorriu. "Oi!" Ela deu a bochecha para que fosse beijada, como sempre (ser beijada era muito mais interessante, ela pregava). Confusão de faces. Suas testas se encostaram, quase, os lábios. "Oi." Ele começa um diálogo inesperado enquanto ela tenta assimilar aquele ambiente nublado, as paredes que diminuem, a presença daquele homem em seu território. Ele: "você está abatida, está tudo bem?" Ela: "É claro que não! Se eu nego que sinto sua falta, meu corpo me entrega. Eu não estou bem há muito tempo.", ela pensou. Ficou muda. Não poderia encontrar uma resposta rápida e eficaz para aquilo. Ela sabia que estava abatida, mas não sabia que podiam ver. "Você me convidou para ir blurghming (simplesmente esqueceu a palavra que saiu da boca dele e não conseguia lembrar que convite era esse), eu fui e você não estava." Agora sim deveria estar abatida. Que conversa era aquela?, ela pensava, fazia meses que não se viam e ele a trata como se tivessem conversado ontem. "A gente tem que conversar", tomou coragem e falou. Na sua cabeça, uma sucessão de fotos de mais de quatro anos de vida juntos passava em alta velocidade, formando um filme sem sentido, ligado apenas pela palavra "nós". Já não era verdade isso. Eles não eram nós desde que uma outra ela entrou naquelas pessoas. Na sua cabeça, apenas uma vontade imensa de contar o quanto estava angustiada naquele ambiente minimizado, queria poder abraça-lo novamente e se sentir tão não-só. "Você quer ir lá em casa?" E começou a chorar. Ela sentiu, assim, saudades, muitas. Chorou. Queria ir na casa, queria conversar com a família, queria sentar naquele mesa e falar do passado, queria que aquilo tudo tivesse sido real. Acordou chorando e, às três da manhã, chorava por ter a capacidade de se enganar até em sonhos. 

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* Se você achou esse blog muito prolixo e metido a ser profundo, vá para o Blog da MilAna! 

*idéia de Eduargo Baggio 
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Segunda-feira, Dezembro 06, 2004


- Milena, essa historia de hoje é sobre o Lost In Transation? 
- É, quer dizer... 
- hehehehe 
- Ah! Mas que saco* também, fiquei irritada... 
- Ei, você tá morrendo de ciúmes!!! 
- Ah! Eu nem... Saco*!!! 
- hehehehe 
- Saco*!!! 

(*toda sorte de x/?/chingamentos, negações e depreciações jogadas ao ar) 

**** 

Acordei hoje e queria que o mundo morresse. A câmera não ligava (e nem desligava), o quarto tinha virado uma sauna, minha cachorra latia e eu tinha acordado depois de 5 horas de sono, apenas. Fui no Juizado de Pequenas Causas, no Banco, na Faculdade e passei a tarde ouvindo um tiozão falar sobre a eletricidade e o mundo (ou, desde a usina do itaipu até as nossas casas...). Tinha tudo pra querer explodir com o primeiro "bom-dia" que ouvisse. E, sabe? Passou, apenas isso... A vida deve ser mesmo assim. 

**** 

Adoro calor e a disposição de ficar muito tempo debaixo do chuveiro! 

**** 

Às vezes eu sou eu, às vezes, não. 

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Eu me sinto uma peça barata num antiquário. Eu me sinto como uma bonequinha de porcelana e não entendo quando foi que construí essa imagem. Eu sou muito bonitinha, muito queridinha, muito espertinha, muito fechadinha, muito sozinha e todo mundo acha isso engraçadinho. Qualquer dia, de peça de antiquário eu viro atração de circo. Eu to me sentindo idiota por ter escolhido você. Entenda. Escolhido. Não foi decisão emocional, eu acreditei que isso valia a pena e depositei meu tempo ali. E agora eu sou uma jóia que não pode ser comprada. Uma pequena raridade a quem não se deve nem perguntar o preço. Eu odeio esse papinho "vamos elogiá-la e mostrar o quanto eu GOSTO dela, tadinha." Eu cheguei em casa triste hoje. Eu não quero mais rir das suas piadas, ouvir suas historias, ser bacana com seus amigos. Eu não quer ser LEGAL. Eu já passei por isso antes e foi o suficiente para saber que o veneno pra matar essa florzinha custa muito caro. Eu chorei. Eu vou me mudar pro Groenlandia. Vou colocar uma placa de "procura-se" na porta da minha casa. Em 48 horas, eu vou desistir de você. Eu me sinto uma barata no antiquário.
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Domingo, Dezembro 05, 2004


Ela estava com os braços queimados do sol, e com uma faixa branca no pulso esquerdo, marcas do primeiro ano de seu relógio marrom, de largas pulseiras de plástico e dono de um tique-taque perene, digno de um despertador de corda. Quando vestia saias, sentia-se uma estrangeira num país tropical. Podia, com pouco esforço, ver as próprias veias da perna, e sabia que poderia morrer de vergonha se algum dia alguém comentasse sobre elas. Nunca quis ser tão transparente. Ela gostava do resultado de seu olho escurecido pelo uso do lápis e de muito rímel. Gostava de olhar as pessoas nos olhos. Não por buscar a sinceridade entre o discurso (¿ah! Os clichês...¿ ela pensava), mas para apreciar o embaraço da presa frente ao caçador. Tinha apreço, também, pelo dedo mindinho do pé direito, que escondia uma pinta de nascença. Ela tinha várias pintas de nascença e nunca entendeu como se deu a formação delas. Com os anos, muitas desapareceram, outras surgiram, e outras aumentaram tanto que foram extraídas daquele corpo maior. Maior. Ela foi a maior da turma até a segunda série, e durante anos ficou com uma imagem alterada de si mesma. Ela se achava grande. Só se viu menor do que o imaginado quando tentou pular por cima de uma árvore e faltaram-lhe pernas. Olhou para o lado e não tinha ninguém. Encostou-se ao barranco e chorou. Hoje a tarde, ela estava conversando sobre o cenário musical paranaense. Ela entende de música as sete notas, se bem que de dó a dó sempre vão oito. Prestava atenção nos outros braços, pensava se as pernas daquelas pessoas seriam tão brancas como as dela. Pensava que sol, mar, amor eram palavras que nunca estavam juntas numa mesma música curitibana. Como podia querer que suas pernas fossem bronzeadas se fazia meses que ela não tirava a calça jeans? De repente, ouviu, "eu vou embora". Eu vou embora. Essa frase e um frio. Um arrepio. Ar-re-pio de pan-ca-da. Pan-ca-da de ar-re-pio. Cantarolando assim, tinha saudades do tempo em que se separavam corretamente as sílabas. Ele foi embora. Em seguida, sentiu-se invadida por dois sentimentos opostos e completamente necessários, entendeu. Seria possível que não desejava que ele se fosse? E, que maravilha! Estava tão triste por perder aquela presença, triste de dar um aperto entre o umbigo e o encontro das costelas. "Não, fica...", era a sua vontade. Tão triste. E tão empolgada por, enfim, dizer "não, fica...", por poder sentir aquela tristeza romântica, por desejar encontrar, enfim, as pernas maiores que a ajudariam a sair de detrás do barranco. Ele foi embora, ¿tudo bem...¿, nunca acreditou em telepatia. Nunca quis ser tão transparente. Hoje a noite, olhando-se no espelho ¿ o resto de maquiagem nos olhos proporcionava-lhe um uma sensação particular ¿ via-se bela e triste como o fim de um dia de sol. Descobriu uma pinta nova.
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Quarta-feira, Dezembro 01, 2004


FELIZES SÃO OS INFELIZES DOS CÃES, QUE PELO MENOS SABEM SE AFASTAR DE QUEM NÃO PRESTA. 

EU NÃO SEI.

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

2004

Terça-feira, Novembro 30, 2004





Não era assim que eles falavam (eu ainda não ando com um caderninho anotando as belas frases que são soltas pelo mundo), mas no finzinho do filme, tem um lance do Ariel (esse carinha da esquerda, na foto) falando: 

"hoje eu sonhei que era pai. Sabe quando você sonha que está voando ou que está caindo? Temos a sensação de estar acontecendo, apesar de, de alguma maneira, saber que não está. Mas, sentimos aquilo. Hoje eu acordei com a sensação de ser pai e a contade de abraçar alguém que eu não conhecia." 

(eu posso ter desvirtuado a mensagem original, a lembrança da coisa pode estar baseada no que eu entendi sobre ela e não nela mesmo, enfim, grande pedida!!) 


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ANALFABETA FUNCIONAL 
01) Quantos anos você tem? 
R.: 21. 
02) Qual seu nome? 
R.: Milena. 
03) Elabore uma frase com as duas respostas acima. 
R.: Milena... 21... dedos? 
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Segunda-feira, Novembro 29, 2004


BALANÇO DO DITE: 
3 cataflans pra combater a inflamação no dente (sim, a dor no ciso é, na verdade, uma dor na parte e cima da gengiva que cobre o dente), 3 paracetamols (com intervalo de de 40 minutos entre cada um) pra acabar com a dor de cabeça que a dor no dente me causou, 1 comprimido de guaraná pra me deixar acordada depois de tantos remédios (porque amanhã tem prova e o ser aqui precisa estudar), 1 propanolol pro coração ficar sobre controle depois de tantos remédios e ativadores. 
Isso sem contar da água oxigenada 10 volumes e a seringa no banheiro (pra desinflamar o dente), coca-cola e café pra combater o sono durante a tarde e o que vai vir agora, sonho de doce-de-leite, biscoito de manteiga e outros docinhos pra me distrair dos textos e Amelie Poulain no rádio na hora de tomar banho. 
Daqui a três dias meu corpo pára de me boicotar e eu volto a ser a Milena de antes (até que ponto isso é bom?...)! Paciência, meus amigos... foi isso que eu pedi aqui em casa!
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Domingo, Novembro 28, 2004


Tem dias que eu me sinto um zero 
Tem dias que eu me sinto um dente 
Tem dias que eu sou MilenITE 
[o que pode ser pior que estar em boa companhia, servido de boa comida, ouvindo um bom papo? 
Isto: não entender nada da conversa, estar com vontade de ir ao banheiro, parecer a antipática porque está sentindo tanta dor no ciso (siso? sizo? cizo? siso? ssiso?...) que nem consegue rir de uma piada que já perdeu (porque estava pensando no dente) e ficar se sentindo a idiota da mesa] 
Tem dias que eu deveria ter saido de casa maquiada 
Tem dias que eu sou a própria inflamação
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Quinta-feira, Novembro 25, 2004


Devia ter uma música pra este momento. Devia ser uma dessas do Wandula, que acabei de conhecer, ouvir, ver, sentir. Devia ter um termômetro de confiabilidade nas pessoas. Devia ter um alerta dizendo quando elas vão te surpreender. Devia ir dormir porque amanhã o dia é longo. Devia mandar tudo à merda. Se eu fosse um signo, devia ser algo com leão. Preciso perder essa mania de enfiar as mãos no cabelo quando fico nervosa e sem rumo. Preciso parar de morder meus dentes. Tenho que me lembrar de ser mais cética. Sim, mais. Preciso de uma música pra dizer por mim agora. Meu corpo dói das estrepolias de ontem. Desde os olhos, passando pela bochecha, queixo, ombros, braço, mãos e pontas dos dedos, sinto um peso que quase me impede de chegar na cama. Me impede de terminar de escrev 
(ainda tenho forças pra pedir uma música... "Sam...")
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Segunda-feira, Novembro 22, 2004


Viu? 
Às vezes, 
tudo o que pessoas como eu precisam 
é de um pouco mais de 
E S P A Ç O ! 


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Quinta-feira, Novembro 18, 2004


Roteirizardecuparproduzirfilmareeditar = 1 vídeo + inventarimagensparatrêsminutosdeumevento = 1 vídeo pro Putz +entrevistacomPróreitoraparaarrumarumprojetoantesdadocomoconcluído = 1 vídeo + assistirSalomé = 1 prova +assistirOPovoContraLarryFlint = 1 trabalho de Sociologia + lerumtextoeescrever = 1 resenha + lembrardeaulasperdidas = 1 prova de Legislação + xunxarumtrabalhojáfeitosobreimprovisação = 1 trabalho de Interpretação +umacoreografiademúsicaafricana = 1 trabalho de Dança + lertrêstextoseanotaçõesdeaula = 1 prova de Teoria da Comunicação = nervosismolatenterugasnatestacabelospracimamauhumoriminenteespinhasunhasroidas perdadanoçaodomundoexteriormaisumpoucodemauhumorpontofinal 
Tem coisas que não tem preço... 
Paratodasasoutrasvocêfingiloucuraouenlouquecedevezetentaratestadodeummédico 
psiquiátricopraaumentarseusprazosdeentregadetrabalho: 
INFERNO ASTRAL: Sempre 20 dias antes do último dia de aula do ano! 

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Constatação do dia (com duas rugas de tensão frisadas na testa): 
Eu tenho a mente de um velho reacionário de 61 anos. 

Frase do dia: 
"Onde esse mundo vai parar, meu Deus?" 

Pensamento do dia: 
será que eu sou um personagem do Nelson Rodrigues? 

Almoço do dia: 
beterrabas, com muito sal. 

Música: 
"michelly, ma belle, son de mon qui von tre bien ansan" 

Constatação 2: 
desistir de falar francês.
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Domingo, Novembro 14, 2004


Dois xisbúrgueres e um milquecheique de ovomaltine. ...
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Sexta-feira, Novembro 12, 2004


Estava no ônibus, novamente. Novamente, lendo. Engraçadinha, seus amores e seus pecados. No segundo tubo, ele embarcou. Havia lugares vagos. Por algum vago motivo, ele decidiu ficar em pé ao meu lado. Sentada, só enxergava até metade do seu tronco. Calça marrom, camisa azul, algum sapato vagabundo preto, uma bolsa atravessada no corpo. "Deus prefere os afogados." A leitura prosseguiu até que pude sentir o cheiro dele. Como aquele homem podia estar com aquele frescor àquela hora da noite? Eram quase onze, afinal. Ninguém, às onze, tem cheiro novo de perfume, de desodorante. Ele voltava do trabalho, de uma sexta-feira cheia, quente até, e cheirava. Uma pausa. Sim, era, mais uma vez, aquela fragrância conhecida. Uma vez, talvez na sexta série, aprendi que a única memória que não conseguimos enganar é a olfativa. Deixo registrado que sou praticamente uma deficiente olfativa, cheiro pra mim, ou não existe, ou é tudo igual. Até hoje, há apenas dois que nunca se foram: o cheiro de biarticulado novo, e esse. Aliás, como nunca perguntei se era de desodorante ou de um vidro de perfume? Voltemos. Sim, eu precisei parar um momento. Como aquele homem tinha aquele cheiro àquela hora da noite e ainda tinha a petulância de ficar em pé ao meu lado? Não pude olhar pra ver seu rosto. Fantasiei um conhecido. Alguém que me conhecesse sob a influência daquele cheiro nas minhas memórias, e depois dela. Ao pôr do sol, achei que tivesse visto seu perfil no meu Chinês. À noite, através da janela, o mesmo perfil ficou mais real. Real e ignorado. Às onze, no ônibus, mais uma chance de reviver você. Engraçadinho. O ônibus vai fazer o retorno da coca e penso porque, periodicamente, sua imagem, cola. Princípio de raiva. Vejo a minha imagem no reflexo do vidro. Eu, novamente, mudei. Sorrio. Obrigada, senhor, seu cheiro me fez lembrar que nunca gostei mesmo dessa química. Próxima parada, terminal... Olhei o rosto: 40 anos, moreno, sofrido. 
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Domingo, Novembro 07, 2004


Um pouco antes de morrer (eles sabiam que aconteceria inevitavelmente), ele implorou para que a cerimonia fúnebre fosse rápida, sem músicas nem fotos, apenas o necessário para satisfazer familiares e curiosos. Queria ser cremado. E queria, ao lado do seu corpo no caixão, que algumas coisas fossem queimadas com ele. Seu "corpo" - era assim que ele sempre se referia a ele mesmo depois da morte. Era possivel que tivesse clareza que, depois do fim, aquela carne só seria a representação do que ele "foi", só seria um corpo, e não mais todo ele. Toda aquela junção de sonhos, esperanças, raivas, protestos, lembranças e feitos não seria ele. "Ele" iria continuar, malfeito, inacabado, fora de si, sem pouso, mas ia keep walking. Na cama do quarto deles, onde seu corpo permaneceu por instantes depois do fim, ela relutava em satisfazer seu desejo. Era essa dubiedade mesmo. A cama deles, os corpos deles, os desejos deles. Ela desejava acreditar que ele ainda estava presente apesar do frio no corpo, apesar da imobilidade. Queria ficar ali por mais alguns dias, queria reunir forças para se separar do corpo amado, do seu cheiro ainda tão vivo, das suas mãos e daqueles cabelos tão lisos como o dela nunca pôde ser. Queria ser forte para poder colocar dentro do caixão todas as cartas e presentes que havia recebido dele. Esse era o combinado. Combinaram não reviver seus momentos juntos, combinaram queimar a lembrança física e deixar que o resto se apagasse com o tempo. Ele achava que seria justo com ela. "Justo?", ela pensava agora. Justo seria que ele ainda estivesse lá, que seus corpos não viessem nunca a se separar. Nunca. Não gostava dessas palavras com efeitos generalizantes. Uma vez, contou-lhe um ditado budista (a verdade é que ela já não mais lembrava a origem do dito - seria esse o primeiro indício da verdade sobre as memórias dos vivos?), algo como "amar é saber viver sem a pessoa amada". Ela entrou em pânico, ele, calmamente, disse acreditar que se fosse para ela ser um pouco (que fosse) mais feliz longe dele, abriria mão de sua presença. Ela, ainda em pânico. Ele tentando explicar sua crença num amor doador, ausente. Eram essas diferenças que a tinham atraído. Traído, agora. O corpo tinha sido levado ao cemitério sozinho. Ele não carregou nada de seus cantos e crônicas de amor. Não foi nem queimado. Todas as promessas foram traídas pela agonia de queimar o fim. Desejou ter morrido primeiro. Queria ter podido decidir pelo fim. Queria que aquele fosse o seu corpo. Queria, ao menos, poder saber onde o corpo estava, queria cartas pra ler, fotos. Queria poder ler seu nome numa pedra e poder enfeitá-lo com coroas de orquídeas. E, agora estava só, era ela quem decidia. Escolheu ter um lugar pra regar com lágrimas.
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Quinta-feira, Novembro 04, 2004


Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... Ai que sono! AI que sono! ai, QUE sono! Ai, que SONO!!! Ai, QUE SONO!!! AI QUE SONO!! ai que sono... aaaahhhhh!!!! que sono.... 
sim, sim, sim, eu gosto MESMO de dizer o que eu to sentindo... 
Por que quanto mais eu dumo, mais eu QUERO dormir, e quanto menos eu durmo, MAIS eu quero dormir? 
É, a vida não é mesmo lógica...
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Segunda-feira, Novembro 01, 2004


Acabei de me pegar na frente do espelho, sem fazer nada, apenas pensando em por que estou tão sem energias. Por que tem momentos em que uma tristeza e desanimo tão grandes me atingem? Por que eu me sinto uma fracote desinteressante e superficial? Há minutos, acabei de me flagrar observando uma espinha que está surgindo na ponta inferior do meu nariz. Metade de mim amaldiçoava a acne e a outra pensava nos motivos que me tranformaram num monte de trapinhos. E, como num momento de iluminação, senti que eu sentia medo. Que estava com medo pelos motivos mais tolos que podem haver. Estou sentindo medo por antecipação, prevendo (como se isso fosse possível) que logo logo vou tropeçar novamente. Olhando pra ponta do meu nariz, de repente, admiti que estou colocando todas as pessoas dentro do mesmo saco e querendo provar que o gosto do suco que vai sair vai ser sempre com aquele azedo já conhecido. E não tenho coragem pra me provar o contrário. Agora estou aqui, comendo um pão com requeijão, olhando pra tevê, olho pesado, cabeça pesada, miolos chuviscando... Enquanto troco os canais, procuro ouvir de algum apresentador de telejornal a previsão do tempo. Fico à espera. Hoje à noite, espero reaver minhas forças, espero passar umas semanas, espero ficar firme, e sem medos.